COMPARTILHAR

Falha no leitor biométrico explica habilitações por ano de nascimento em seção de Lauro de Freitas (BA)

Análise dos logs da urna constatou problema no equipamento; eleitores foram identificados por documento com foto

Publicado em 04/11/2026 17:11 - Atualizado em 04/11/2026 17:12
Falha no leitor biométrico explica habilitações por ano de nascimento em seção de Lauro de Freitas (BA)

Um vídeo que circula nas redes sociais questiona registros de habilitação de eleitores na seção 280 da 180ª Zona Eleitoral, em Lauro de Freitas (BA). Segundo a análise técnica do log da urna — arquivo que registra as operações do equipamento —, o leitor biométrico apresentou falha desde o início da votação, impedindo o reconhecimento das digitais dos eleitores. 

A votação prosseguiu na mesma urna, com identificação por documento oficial com foto e habilitação por ano de nascimento, seguida da assinatura no caderno de votação. 

O que é fato? 

  • A análise técnica feita no log da urna identificou um problema no funcionamento do leitor biométrico: nenhum eleitor foi reconhecido pela digital naquela urna;  

  • Falha não dispensou a identificação das pessoas que compareceram à seção; e 

  • Os registros analisados não demonstram fraude nem permitem concluir que houve votação em nome de eleitores ausentes. 

Conteúdo analisado 

O autor de um vídeo publicado no X examina registros contidos em log da urna da seção 280 da 180ª Zona Eleitoral de Lauro de Freitas (BA) e questiona habilitações realizadas após falhas no reconhecimento biométrico.  

De acordo com o usuário, também teriam ocorrido tentativas sem sucesso de validação das digitais dos mesários. Ele afirma não contestar o resultado nem alegar fraude, mas pergunta quem realizou as liberações e solicita explicações para registros semelhantes em outras seções eleitorais. 

Por que é boato?

Leitor biométrico apresentou falha no reconhecimento das digitais. Por meio da análise dos logs da seção eleitoral, a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) verificou que o leitor biométrico não funcionou corretamente desde o início da votação na seção 280.  

Nenhum eleitor foi reconhecido por biometria, embora os mesários tenham sido registrados normalmente na abertura dos trabalhos, inclusive com coleta de suas digitais pela urna. 

A hipótese técnica mais provável é que o leitor estivesse deformando ou invertendo as imagens capturadas. Essa possibilidade explica a diferença observada entre o reconhecimento biométrico: 

  • as digitais dos mesários foram coletadas pelo próprio equipamento no início dos trabalhos, enquanto as digitais dos eleitores eram comparadas com imagens previamente cadastradas. 

A causa específica dessa distorção é uma hipótese técnica. O problema no reconhecimento biométrico, por sua vez, foi identificado na análise dos logs da urna.  

Habilitação manteve identificação dos eleitores 

A votação continuou com a mesma urna. Diante da falha biométrica, os mesários conferiram a identidade dos eleitores por meio de documento oficial com foto e utilizaram o procedimento de habilitação pelo ano de nascimento. Após a identificação, cada eleitor assinou o caderno de votação. 

O ano de nascimento deve ser informado pela própria pessoa presente na seção. A informação não consta de nenhum documento ao qual a mesária ou o mesário tem acesso.  

Falha de reconhecimento não comprova liberação irregular 

O log registra as operações realizadas pelo equipamento, incluindo tentativas de reconhecimento biométrico sem sucesso. Esses eventos precisam ser interpretados em conjunto com o funcionamento da urna e os procedimentos de identificação adotados na seção. 

A existência de tentativas malsucedidas de leitura não demonstra que pessoas desconhecidas tenham habilitado eleitores ou que votos tenham sido registrados de forma irregular.