É falso que virada de votos no segundo turno seja impossível ou comprove fraude nas eleições
Abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19,22% no segundo. Mudanças no comportamento do eleitorado entre as duas etapas são possíveis e não comprovam irregularidades
Circulam nas redes sociais publicações que afirmam ser impossível que um candidato à Presidência da República conseguiu reverter a diferença de votos no segundo turno das Eleições Gerais de 2026. Os conteúdos usam comparações entre os resultados dos dois turnos para levantar suspeitas de fraude. A alegação é falsa.
É preciso considerar diversos fenômenos das eleições como a transferência de votos para um candidato que já não disputa mais o cargo; a queda na abstenção e a mudança na escolha do candidato. As diferenças entre resultados, por si só, não comprovam irregularidades no pleito.
O que é fato?
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A abstenção diminuiu do primeiro para o segundo turno. O índice passou de 21,08% (33.469.244 eleitores) no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, para 19,22% (30.509.005) no segundo, em 25 de outubro. Esse é o menor índice de abstenção registrado em uma etapa final de eleições nos últimos 20 anos. Um aumento de comparecimento de 2.960.239 eleitores. O comparecimento aumentou de cerca de 125,2 milhões para 128,2 milhões de eleitores. Os números estão na página de Resultados e Estatísticas Eleitorais.
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Os votos nulos e brancos também diminuíram. No primeiro turno foram 95,23% (119.300.788) de votos nominais, 1,84% (2.300.798) em branco e 2,93% (3.674.249) nulos. Já no segundo turno, foram 96,76% (124.082.273) de votos nominais; 1,12% (1.430.496) em branco e 2,12% (2.723.305) nulos. Ou seja, no segundo turno, mais pessoas fizeram a escolha entre os dois candidatos.
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A transferência de votos pode ocorrer para um dos candidatos. O segundo turno é uma nova disputa eleitoral. Nessa etapa, concorrem apenas os dois candidatos mais votados no primeiro turno.
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A mudança na votação entre os turnos é possível. O comportamento eleitoral é estudado pela Ciência Política e pode variar ao longo de uma campanha. Entre os fatores que influenciam as escolhas estão os apoios políticos, as propostas, os debates, os acontecimentos entre as votações e a decisão de eleitores que, no primeiro turno, optaram por outras candidaturas, votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram.
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O 2º turno das Eleições 2026 registrou 34.393 votos após as 17h em território nacional. A votação foi estendida até as 19h, considerando-se o horário de Brasília, por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas seções eleitorais em território nacional que ainda estavam em funcionamento às 17h.
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Não é possível alterar um resultado de uma eleição. A urna eletrônica não possui conexão com internet, Wi-Fi, Bluetooth ou cabo de rede. Após o encerramento da votação, a urna gera o Boletim de Urna (BU), que registra os votos daquela seção. Esse documento é entregue aos fiscais de partidos e fica afixado na porta da seção eleitoral, para conferência pública.
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Os arquivos que são transmitidos para o TSE passam por verificações de autenticidade e integridade antes de serem processados na totalização. Tanto os BUs quanto os resultados ficam disponíveis na página e no aplicativo Resultados. Quando o TSE publiciza o BU na internet, ele já está público em cada seção.
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É possível acompanhar a evolução da totalização, a soma dos resultados de todas as seções, no painel disponibilizado pelo TSE na internet.
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Há ainda mecanismos de auditoria que permitem comparar os resultados registrados pelas urnas com os votos efetivamente inseridos durante testes públicos. O Teste de Integridade é realizado desde 2002 e, até hoje, não registrou resultado diferente dos votos inseridos nas urnas submetidas ao teste.
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As eleições brasileiras são fiscalizadas pela sociedade, pelo Ministério Público e outras entidades fiscalizadoras, como os partidos políticos.
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No Brasil, os observadores nacionais e internacionais também participam dessa fiscalização. Os relatórios que encontram-se disponíveis não citam indícios de fraudes. A conclusão da Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, fala sobre o aumento na participação do eleitorado no segundo turno.
Conteúdo analisado
Publicações nas redes sociais afirmam que a virada de votos para um candidato à Presidência da República no segundo turno das Eleições Gerais de 2026 seria impossível e que a diferença entre os resultados das duas etapas indicaria fraude eleitoral.
Os conteúdos comparam números do primeiro e do segundo turno e questionam como um candidato poderia alterar sua votação em relação ao adversário em apenas três semanas. A partir dessas comparações, sugerem que os resultados não seriam compatíveis com o comportamento esperado do eleitorado.
Por que é boato?
A alegação de que uma virada eleitoral é impossível não tem fundamento. O segundo turno constitui uma nova votação, na qual cada eleitor pode reavaliar suas escolhas e optar por qualquer um dos dois candidatos. A votação de cada candidatura pode aumentar ou diminuir em relação ao primeiro turno, conforme o comportamento do eleitorado. Essa mudança entre os turnos é um fenômeno possível e estudado pela ciência política.
Eleitores que votaram em candidaturas eliminadas podem decidir entre as duas opções restantes; outros podem mudar de preferência, deixar de comparecer ou comparecer depois de terem faltado à primeira votação.
A circulação de recortes de dados eleitorais, sem contextualização adequada e sem explicitação da metodologia de comparação, não basta para concluir que determinado resultado seria impossível ou indicaria fraude. A análise deve considerar o conjunto dos dados e bases comparáveis, incluindo comparecimento e abstenção, votos válidos, brancos e nulos, votação das candidaturas que não avançaram ao segundo turno e denominadores usados nos percentuais.
A interpretação dos resultados deve considerar também a dinâmica da disputa entre os turnos, como campanhas, debates, apoios políticos, fatos supervenientes e outros fatores capazes de influenciar as escolhas eleitorais.
A Justiça Eleitoral dispõe de mecanismos de fiscalização e auditoria. Eventuais questionamentos, quando fundamentados e acompanhados de indícios verificáveis, podem ser encaminhados pelos meios institucionais adequados. As avaliações públicas de missões de observação credenciadas que acompanharam etapas relevantes do processo registraram conclusões favoráveis sobre sua integridade e destacaram a segurança, a transparência e a auditabilidade do sistema eletrônico de votação e apuração.
Portanto, a mudança na diferença de votos entre o primeiro e o segundo turno não comprova fraude. Para sustentar uma acusação desse tipo, é necessário apresentar evidências concretas e verificáveis de irregularidades, e não apenas comparar resultados de duas votações distintas.
É falso que virada de votos no segundo turno seja impossível ou comprove fraude nas eleições
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