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É falso que vídeo mostre urna registrando votos sozinha após as 17h nas Eleições 2026

Gravação é de 2014 e mostra equipamento com falha em Torres (RS); urna foi substituída e votação prosseguiu sem irregularidades

Publicado em 29/10/2026 16:39 - Atualizado em 29/10/2026 19:52
É falso que vídeo mostre urna registrando votos sozinha após as 17h nas Eleições 2026

Um vídeo de uma urna eletrônica emitindo um sinal sonoro contínuo voltou a circular associado à alegação de que equipamentos teriam registrado votos automaticamente durante a prorrogação da votação nas Eleições 2026.  

Isso é falso. A gravação retrata uma ocorrência de 26 de outubro de 2014, por volta do meio-dia, na seção 2 da 85ª Zona Eleitoral, em Torres, no Rio Grande do Sul. 

O que é fato? 

  • Vídeo é antigo: foi gravado no 2º turno das Eleições 2014, em 26 de outubro daquele ano.

  • A urna estava travada, inoperante e com o sinal sonoro acionado. Uma técnica foi enviada ao local e substituiu o equipamento; 

  • Segundo o registro oficial do cartório eleitoral, a votação prosseguiu normalmente até o encerramento, sem constatação de irregularidades; e 

  • Som emitido não significava que votos estavam sendo registrados. 

Conteúdo analisado 

O vídeo mostra uma seção eleitoral com uma urna emitindo repetidamente um sinal sonoro, apresentado como se fosse a confirmação de votos sem a presença de eleitores na cabine. A gravação, que já circulava em 2014, é compartilhada em 2026 para sustentar a alegação de registro automático de votos após as 17h, durante a prorrogação da votação.

Por que é boato? 

A ocorrência foi registrada no 2º turno das Eleições Gerais de 2014, que ocorreu em 26 de outubro daquele ano. Segundo informações da 85ª Zona Eleitoral, de Torres (RS), o cartório foi acionado por volta das 12h, após a presidente da seção 2 informar que a urna estava travada. 

A técnica que compareceu ao local confirmou que o equipamento estava inoperante e com o sinal sonoro acionado. A urna foi substituída conforme os procedimentos técnicos de contingência previstos em resolução do TSE, permitindo a continuidade da votação. O caso foi comunicado à juíza eleitoral e ao Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral).  

Não foi constatado indício de irregularidade na votação de 2014 e as imagens, que voltaram a circular em 2026, não têm relação com a prorrogação do 2º turno de 2026. 

Urna não vota sozinha 

O registro do voto depende da identificação e da habilitação da eleitora ou do eleitor e da interação com o equipamento para digitar e confirmar suas escolhas. O sinal sonoro ouvido na gravação mostra que a urna estava travada, não que o equipamento registrava votos sozinho. 

Nas Eleições 2026, a identificação incluiu: 

  • apresentação de documento: o eleitor exibe um documento oficial com foto;  

  • busca no sistema: o mesário localiza o cadastro digitando o número do CPF ou do título de eleitor.; 

  • conferência fotográfica: o terminal do mesário exibe a fotografia do eleitor, armazenada na base da Justiça Eleitoral, o que permite a checagem visual imediata por quem está na mesa; 

  • validação biométrica: com a identidade confirmada pelos documentos e pela imagem, o eleitor posiciona o dedo no leitor. Se as digitais forem reconhecidas, a urna é liberada. 

Quando a pessoa não tem biometria cadastrada ou a digital não é reconhecida, existem procedimentos específicos de identificação, como a habilitação por ano de nascimento (dado que só pode ser informado pelo próprio eleitor, presente na seção eleitoral) e a assinatura no caderno de votação.  

A ausência de reconhecimento biométrico não dispensa a identificação nem significa que a urna registre votos automaticamente.  

Zerésima e boletim de urna documentam a votação 

Antes do início da votação, às 7h28 de 26 de outubro de 2014, foi impressa a zerésima da seção. O documento registra zero votos para todos os candidatos, além de zero votos brancos e nulos. 

O boletim de urna emitido após o encerramento registra o comparecimento de 310 eleitores. Para presidente, foram contabilizados 187 votos para Aécio Neves, 108 para Dilma Rousseff, sete brancos e oito nulos. 

PSDB recebeu os documentos da seção; auditoria não identificou fraude 

De acordo com o cartório eleitoral da 85ª Zona Eleitoral de Torres, em 29 de outubro de 2014, o diretório regional do PSDB, atendendo a uma solicitação do diretório nacional, pediu cópias da zerésima, do boletim de urna e da ata da seção.  

A documentação foi disponibilizada e retirada pelo partido no mesmo dia. Posteriormente, o PSDB realizou uma auditoria sobre as eleições de 2014. Conforme esclarecimento publicado na página Fato ou Boato, a análise não identificou evidências de fraude no pleito. Os resultados desse trabalho foram apresentados em 2015. 

O vídeo, portanto, mostra uma falha de funcionamento atendida pela Justiça Eleitoral em 2014. Não comprova votação automática nem qualquer irregularidade nas Eleições 2026.