Segura, auditável e confiável
Urna eletrônica
A urna não é apenas um computador. É resultado de ideias e iniciativas que remontam à criação da República Federativa do Brasil. É parte relevante do processo eleitoral brasileiro e da concretização da ordem e da legitimidade na realização das eleições.
Detalhes técnicos das urnas eletrônicas 2020 e 2022
A urna eletrônica 2022 (UE2022) é o modelo mais novo da Justiça Eleitoral. Ela é tecnicamente igual à UE2020. Visualmente, só alguns pequenos detalhes no gabinete permitem diferenciar uma UE2020 de uma UE2022.
Essa geração de urnas possui novo design e melhorias relacionadas à capacidade de processamento das informações, à interação com o mesário por meio de um teclado sensível ao toque e a diretivas de segurança do equipamento. Abaixo, serão exibidos mais detalhes do equipamento, além de diretrizes utilizadas pela Justiça Eleitoral para especificar e construir a urna eletrônica.
Quando a Justiça Eleitoral inicia o projeto de desenvolvimento de uma urna eletrônica, alguns princípios devem ser respeitados, tais como:
- a urna deve ser fácil de usar, transportar e operar;
- a urna deve ser autossuficiente para funcionar em qualquer local, com qualquer infraestrutura disponível;
- a urna deve ser segura, sem precisar ser vigiada;
- a urna deve ser desconectada de qualquer tipo de rede, com ou sem fio;
- a urna deve ser independente de quem a estiver operando. As decisões de funcionamento e operação não devem depender do operador do equipamento;
- a urna deve ser integrada em um único equipamento (monobloco);
- na cabina de votação, o eleitor deve ter acesso apenas ao teclado e à tela da urna;
- todas as interfaces de conexão e os indicadores de funcionamento da urna devem ficar nas laterais ou na sua parte traseira. Essas são faces públicas do equipamento e devem ficar expostas a todos os presentes na seção eleitoral.
A urna eletrônica UE2022 e demais modelos de urna possuem os seguintes itens de acessibilidade:
- teclado numérico grande, com sequenciamento de números igual ao utilizado nos telefones e teclas com sensibilidade tátil (braile) e audível (clique);
- saída de áudio para fone de ouvido;
- cadastro de nome fonético dos candidatos;
- sintetizador de voz para leitura das teclas digitadas e dos nomes das pessoas candidatas, vices e suplentes;
- apresentação de um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na tela da urna, para indicar os cargos em votação.
Desde 2008, as urnas eletrônicas usadas nas eleições utilizam o sistema operacional Linux. Por ser um sistema de código aberto, o Linux é a opção ideal com vistas à promoção da auditoria do software da urna. Também é a melhor escolha quando se considera a possibilidade de serem feitas alterações que tornem o sistema operacional mais adequado ao processo eleitoral e ainda mais seguro.
A equipe técnica do TSE desenvolveu sua própria distribuição Linux, chamada de Uenux (Linux na urna eletrônica). O Uenux é configurado para suportar somente o hardware da urna – é retirado, por exemplo, todo o suporte a dispositivos de rede, teclado e mouse. No Uenux, não há terminal de comandos e nele são incluídas somente as aplicações utilizadas no processo eleitoral. Todos os modelos de urna executam a mesma versão do Uenux, existe somente uma versão.
Finalmente, o kernel do Linux foi expandido pela equipe técnica do TSE para incluir mecanismo de validação de assinatura digital de tudo aquilo que é executado no sistema. Isso significa que o Uenux executa apenas drivers, bibliotecas e aplicativos que tenham sido assinados em cerimônia pública e que possuam assinatura válida; caso contrário, o funcionamento da urna é suspenso.
Consiste em um sistema embarcado em hardware específico que, em conjunto com um firmware, implementa funções criptográficas, inclusive algoritmos criptográficos e geração de chaves criptográficas.
É uma solução de segurança de hardware das urnas eletrônicas, baseada em certificação digital, para garantir que as urnas eletrônicas executem apenas softwares assinados digitalmente pelo TSE, e que o sistema operacional das urnas eletrônicas (Uenux), desenvolvido pelo TSE, seja executado apenas em urnas eletrônicas da Justiça Eleitoral.
Assim que a urna eletrônica é ligada, apenas o hardware de segurança e a BIOS são energizados. O hardware de segurança inicia um processo de verificação de assinatura da BIOS, do bootloader e do sistema operacional (Uenux). Por último, o Uenux faz um desafio criptográfico ao hardware de segurança. Se a resposta for a esperada, o Uenux sabe que está sendo executado em uma urna eletrônica da Justiça Eleitoral e permite que ela seja completamente ligada. Caso alguma das verificações não seja satisfatória, a urna eletrônica trava e se desliga automaticamente.
A cadeia de segurança é suportada pela Autoridade Certificadora da Justiça Eleitoral, localizada em sala-cofre do TSE, que possui mais de 4 milhões de certificados digitais emitidos para as urnas eletrônicas. A estrutura dos certificados armazenados no hardware de segurança garante a segregação de função entre as equipes e as fases de produção do equipamento e de desenvolvimento dos sistemas, bem como a realização de simulados e das eleições em si.
Mais detalhes podem ser obtidos no artigo científico que aborda a solução, bem como no mais recente artigo publicado no Simpósio Brasileiro de Segurança da Informação (SBSeg) de 2019 com as evoluções desenvolvidas a partir do TPS anterior.
Consiste em um sistema embarcado em hardware específico que, em conjunto com um firmware, implementa funções criptográficas, inclusive algoritmos criptográficos e geração de chaves criptográficas. É o principal componente da cadeia de segurança.
As principais características do MSE são:
- funciona como única raiz de confiança, implementada em hardware, de uma pilha de inicialização segura que não poderá ser desabilitada;
- dedicado às funções criptográficas de: 1) assinatura e verificação com primitivas de chaves assimétricas; 2) cifração e decifração com primitivas de chaves simétricas e assimétricas; 3) resumo digital; e 4) autenticação com chaves assimétricas;
- possui funções para geração, armazenamento e uso seguro de chaves criptográficas;
- possibilita a autenticação de dispositivos seguros conectados à urna;
- provê método seguro e auditável de atualização de seu próprio firmware;
- provê método seguro para provar o conteúdo completo de seu próprio firmware;
- Permite o bloqueio das funcionalidades do hardware da urna;
- possui gerador de números aleatórios (True Random Number Generator - TRNG); e
- garante que o número de identificação único de cada urna eletrônica não pode ser alterado.
A partir da UE2020, o MSE passou a ser certificado com base nos requisitos da ICPBrasil.
Possui chip criptográfico resinado com epóxi para garantir que apenas teclados reconhecidos pela Justiça Eleitoral sejam utilizados nas urnas eletrônicas e para cifrar o conteúdo de cada tecla digitada: a cada pressionamento de tecla, é gerado um criptograma diferente.
De tecnologia óptica, possui chip criptográfico para garantir que apenas leitores biométricos conhecidos da Justiça Eleitoral sejam utilizados nas urnas eletrônicas e para cifrar a impressão digital coletada.
A urna eletrônica utiliza impressora térmica com papel especial resistente para manter as informações impressas por mais tempo. Ela possui sensores para indicar ao software de votação seu comportamento durante o uso na eleição. Além de possuir guilhotina para corte do papel, a impressora da urna eletrônica tem um chip criptográfico para garantir que apenas equipamentos de impressão conhecidos da Justiça Eleitoral sejam utilizados nas urnas eletrônicas. Ademais, esse chip provê o serviço de cifrar os dados enviados para impressão.
A fonte de energia garante o funcionamento da urna eletrônica sem interrupção, por possuir inteligência para suportar alimentação por energia elétrica ou bateria. A fonte da urna eletrônica possui capacidade suficiente para suportar os picos de energia demandados pela impressora térmica.
A bateria garante o funcionamento da urna eletrônica sem depender da existência de energia elétrica disponível.
A UE2020 é o primeiro modelo de urna com bateria de lítio-ferro-fosfato. Até então, as urnas eletrônicas continham baterias de chumbo-ácido.
Com tela sensível ao toque, a partir da UE2020, permite melhor interação com o mesário ao exibir informações gráficas