Urna eletrônica não libera “candidatos secretos” com sequência de teclas
Postagem nas redes espalha desinformação ao sugerir que seria possível desbloquear opções inexistentes de voto
O que é fato?
- A urna eletrônica só permite votar nas candidatas e nos candidatos oficialmente registrados para o pleito.
- As informações da eleição, incluindo a relação de candidatas e candidatos, são configuradas previamente pela Justiça Eleitoral em cada urna.
- Não existem sequências de teclas capazes de “desbloquear” candidatos secretos, opções de voto ocultas ou funções desconhecidas no equipamento.
- O teclado da urna eletrônica permite apenas as operações previstas no sistema de votação. Segurar uma tecla numérica não produz efeito diferente de um toque normal, e pressionar simultaneamente as teclas “Branco” e “Corrige” não ativa nenhum mecanismo oculto.
- Antes da eleição, os equipamentos passam por procedimentos de preparação, incluindo a cerimônia de carga e lacração, quando são inseridos os sistemas oficiais e os dados correspondentes ao pleito.
- A relação de candidatas e candidatos regularmente registrados pode ser consultada pelo eleitorado nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, como o DivulgaCandContas.
Conteúdo analisado
A peça desinformativa mostra a imagem de uma urna eletrônica com a palavra “FIM” na tela e afirma que, após concluir a votação, seria possível realizar uma suposta sequência de comandos para liberar opções de votos ocultas. A publicação falsa associa esse procedimento à existência de "candidatos secretos", incluindo nomes e figuras que não fazem parte da disputa oficial, reforçando o caráter enganoso do conteúdo.
Por que é boato?
A urna eletrônica é preparada para cada eleição com as informações oficiais do pleito, entre elas, a relação de candidatas e candidatos que tiveram registro apresentado à Justiça Eleitoral. Por isso, as opções disponíveis para votação não podem ser alteradas pelo eleitor nem incluem nomes ou funções que estejam ocultos no equipamento.
É a partir dos dados oficiais da eleição que a Justiça Eleitoral define quais candidatas e candidatos estarão disponíveis para votação em cada urna. Essas informações são públicas e podem ser consultadas pelo eleitorado nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, como a página de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas).
Não existem sequências de teclas para "desbloquear" candidatos
Com base nisso, a ideia de que seria possível descobrir candidatas, candidatos ou funções ocultas experimentando diferentes combinações de teclas é falsa. Quem concorre a cargo eletivo precisa estar regularmente registrado.
Além disso, o teclado do equipamento só permite realizar as operações previstas no sistema de votação. Não há combinação secreta capaz de liberar candidaturas, alterar a lista de concorrentes ou habilitar funções desconhecidas pelo eleitorado.
Também não há comando associado ao tempo em que uma tecla permanece pressionada. Segurar uma tecla numérica, por exemplo, não produz um resultado diferente daquele obtido com um toque normal.
Da mesma forma, pressionar simultaneamente as teclas “Branco” e “Corrige” não ativa mecanismo oculto. Assim, sequências de teclas divulgadas nas redes sociais não podem transformar uma opção inexistente em uma opção de voto. A urna só permite votar nas candidatas e nos candidatos que foram oficialmente configurados para aquele pleito.
Como os nomes dos candidatos chegam à urna
Antes da eleição, a Justiça Eleitoral realiza procedimentos de preparação dos equipamentos, incluindo a cerimônia de carga e lacração das urnas. Nessa etapa, são inseridos nos equipamentos os sistemas oficiais os dados correspondentes à eleição, incluindo a relação de candidatas e candidatos regularmente registrados para cada cargo. Depois da carga, os sistemas são assinados digitalmente e lacrados, o que impede a inclusão de nomes fora da relação oficial.
JC/JV