COMPARTILHAR

É falso que ministros do TSE receberam cópias diferentes do código-fonte das urnas

Códigos abertos para fiscalização são os mesmos que originam programas e sistemas utilizados nas Eleições 2026; ministros não têm cópia da codificação

Publicado em 01/09/2026 19:03 - Atualizado em 01/09/2026 20:20
É falso que ministros do TSE receberam cópias diferentes do código-fonte das urnas

O que é fato?

  • Os códigos-fonte dos sistemas eleitorais são disponibilizados para inspeção por entidades fiscalizadoras e participantes do Teste Público da Urna.
  • Os códigos disponibilizados para fiscalização são completos e correspondem aos que darão origem aos programas e sistemas utilizados nas eleições.
  • A abertura dos códigos-fonte é uma etapa de auditoria realizada pela Justiça Eleitoral desde 2002 e prevista na legislação eleitoral.
  • Os códigos-fonte dos sistemas das Eleições 2026 foram disponibilizados para inspeção a partir de outubro de 2025.
  • Depois da Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais, os programas são assinados digitalmente, lacrados e distribuídos aos Tribunais Regionais Eleitorais para a preparação das urnas.
  • Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não recebem cópias pessoais dos códigos-fonte.

O que diz o conteúdo falso?

Um vídeo publicado no Instagram afirma que os ministros André Mendonça e Nunes Marques teriam recebido o código-fonte das urnas eletrônicas e que esse código teria sido alterado. O conteúdo também sugere que existiria uma versão “real” do código-fonte, supostamente diferente daquela disponibilizada pelo TSE, que estaria sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes. A publicação ainda questiona a segurança das eleições e afirma que o processo eleitoral poderia ser fraudado novamente.

Por que é boato?

É falso afirmar que os códigos-fonte disponibilizados para fiscalização são cópias limitadas ou diferentes de um suposto código que estaria nas mãos de ministros do TSE. Os códigos colocados à disposição das 15 classes de entidades fiscalizadoras e dos participantes do Teste Público da Urna estão completos e são os mesmos que dão origem aos programas e sistemas eleitorais utilizados nas Eleições 2026 e nos pleitos realizados anteriormente. 

Além disso, os ministros não têm nenhuma cópia pessoal dos códigos-fonte.

As linhas de programação estão abertas para inspeção desde 2 de outubro de 2025 e permanecerão disponíveis até o dia 4 de setembro de 2026, quando termina a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais. Nesta etapa, os códigos-fonte passam pelo processo de compilação – gerando, assim, os softwares eleitorais –, que, por sua vez, são assinados digitalmente, lacrados e distribuídos aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para a preparação das urnas eletrônicas. Não é possível promover nenhuma modificação após esse processo.

A abertura dos códigos-fonte não é uma medida criada por uma administração específica do TSE. Trata-se de uma etapa de fiscalização prevista na legislação eleitoral e realizada pela Justiça Eleitoral desde 2002. A Resolução TSE nº 23.673/2021 estabelece as instituições que podem acompanhar o desenvolvimento dos sistemas e realizar inspeções.

Os códigos-fonte são desenvolvidos pela equipe da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE e, após assinados digitalmente e lacrados, são gravados em uma mídia, que fica sob a guarda do Tribunal e pode ser disponibilizada para conferência de qualquer entidade legitimada a fiscalizar o processo eleitoral.  

A própria realização de inspeções por diferentes instituições demonstra que os códigos são disponibilizados para análise e fiscalização. No ciclo das Eleições 2026, sete entidades realizaram inspeções

Abertura dos códigos-fonte

A abertura dos códigos-fonte é uma das oportunidades de auditoria do sistema eletrônico de votação. A legislação permite que instituições habilitadas possam examinar as linhas de programação que originam os softwares e sistemas eleitorais. A Sociedade Brasileira de Computação, por exemplo, analisou os sistemas operacionais, os programas de votação, os módulos de transmissão e totalização e os mecanismos de criptografia.

Conheça todas as oportunidade de auditoria e fiscalização da urna e dos sistemas eleitorais.

O Teste Público da Urna também permite que investigadores conheçam os códigos-fonte e elaborem planos para testar os sistemas eleitorais.