COMPARTILHAR

Vídeo sobre Teste Público da Urna relata achado corrigido antes da eleição de 2012

Investigadores identificaram possibilidade de reconstruir sequência dos votos, mas não conseguiram violar sigilo do voto

Publicado em 04/10/2026 16:57 - Atualizado em 04/10/2026 17:00
Vídeo sobre Teste Público da Urna relata achado corrigido antes da eleição de 2012

Um vídeo nas redes sociais relembra a identificação de um achado durante o Teste Público de Segurança promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2012. Na ocasião, investigadores conseguiram reconstruir a sequência de votos registrada em uma urna utilizada no teste.

O teste levou ao aperfeiçoamento do mecanismo de embaralhamento do Registro Digital do Voto (RDV) antes das eleições daquele ano, como o próprio vídeo informa.

É necessário esclarecer, contudo, que o sigilo do voto não chegou a ser violado porque, durante o teste, os investigadores não conseguiram obter a ordem de comparecimento dos eleitores.

O episódio exemplifica a finalidade do Teste Público da Urna: abrir os sistemas à investigação de participantes externos à Justiça Eleitoral para identificar vulnerabilidades e implementar melhorias antes do pleito.

O que é fato?

  • Durante o teste de 2012, uma equipe conseguiu recuperar a ordem dos votos armazenados no Registro Digital do Voto (RDV). A partir dessa contribuição, o TSE aprimorou o mecanismo responsável por embaralhar o arquivo, corrigindo a vulnerabilidade identificada.
  • A investigação ocorreu em ambiente controlado, preparado pelo Tribunal para a avaliação dos componentes físicos e dos programas da urna. Os participantes tiveram acesso privilegiado ao código-fonte  — o conjunto de instruções que determina o funcionamento dos sistemas — e puderam abrir e manusear a urna para desenvolver seus testes.

Conteúdo analisado

O vídeo explica como uma equipe reconstruiu a sequência de votos durante o teste de 2012. Segundo a gravação, o mecanismo de embaralhamento utilizava uma informação que podia ser obtida em um documento público. O autor afirma que, em tese, conhecer essa sequência e a ordem em que as pessoas votaram poderia permitir associar escolhas a eleitores. Ao final, reconhece que o TSE aperfeiçoou o mecanismo antes das eleições daquele ano.

O que precisa ser esclarecido?

O vídeo relata um achado já corrigido, identificado em uma atividade destinada justamente a coletar sugestões de aperfeiçoamento da urna e dos sistemas eleitorais. O episódio não demonstra que o problema permaneça nos sistemas atuais nem que votos de eleitores tenham sido identificados durante uma eleição.

Vale lembrar que desde 1996 até hoje, nenhum relato de fraude nas urnas e nos sistemas eleitorais foi comprovado.

As condições oferecidas aos investigadores também precisam ser consideradas. No teste, os participantes têm acesso privilegiado aos equipamentos e aos códigos-fonte. Conforme os procedimentos autorizados, podem abrir a urna, examinar seus componentes e realizar intervenções para avaliar suas proteções. Esse acesso não corresponde ao disponível a uma pessoa em uma seção eleitoral no dia da votação.

Essas condições ampliam as possibilidades de investigação e facilitam a identificação de vulnerabilidades. O objetivo é permitir que eventuais problemas sejam encontrados, analisados e corrigidos antecipadamente.

A contribuição dos investigadores em 2012 cumpriu esse propósito: revelou uma fragilidade e permitiu aprimorar o sistema antes de sua utilização nas eleições.